sábado, 2 de junho de 2012

Versinho

Vamos nos embriagar dos outros, deixando que tudo se acabe, comece, venha e sinta. Sente - se ao meu lado e vamos assistir o espetáculo que é viver sem limites, morrer quantas vezes se quiser e acordar do sono profundo, das almas aflitas sem rumo. Eu não quero sossego,tempo ou silêncio, vamos andar por aí, só me dê a mão que o resto eu sei. Sei o caminho perdido, sem volta, distante de tudo, no meio do mundo.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O fato

O inverno ainda não bateu aqui na porta, as folhas continuam caindo e a água vem, vem passando a limpo todo dia o erro do errado de  não querer gostar de nada. O mundo gira pelo efeito do defeito de não ser igual a tudo que se vê. O fato é que estamos na correspondência de ser o que não estamos sendo a cada minuto que falamos sobre o que é. Mas, não é, não era e não estava? Não, não me venha falar sobre o conhecimento teórico das coisas infames e inexistentes. Se é a tua verdade, eu tenho a minha também, bem guardada escondida e tida como certa, incerta de se corrigir. Pensar sobre isso ou aquilo, não é pensar sobre o todo do meu ser desconhecido. Não tente adivinhar,supor ou escrever, as palavras vão continuar fazendo o sentido que eu desejo até o fim do pra sempre, que sempre acontece. 

quinta-feira, 31 de maio de 2012

A Chuva dessa tarde

É muito vento pra pouca árvore é muita mentira pra pouca gente que mora aqui, sai e só vai, não olha, não volta atrás. Porque não se tem o caminho pra voltar, eu vim e tratei de trazer comigo toda a minha paciência, o suficiente está retido em mim, sem dor. O céu clareou depois da chuva dessa tarde, eu caminhei com os pés descalços, molhei as mãos, lavei a alma da falta que nunca existiu. Me perguntam por aí o que é isso que acontece? Acontece com o mundo que saiu do lugar, no meu sono eu fingi que a verdade, era a mentira que estava escrita, reconstruída nos dias que passaram. Reescrevi uns poucos versos, avessos e aversos a boa educação, preferi não pensar em nada, não mentir pra quem quiser que seja. Agora deixa  tudo como está e não está,  veja meu bem se eu dei a permissão pra alguém roubar o meu sossego, devolve a minha auto-definição e deixa ai em cima o resto, que restou, depois da chuva dessa tarde. 

terça-feira, 29 de maio de 2012

A confusão da gente


O mundo confunde, confunde a gente, a gente acha que sabe, mas na verdade só acha. Acha que gosta e que desgosta do gosto do desgosto de viver. Passou aqui de repente o vento que bagunçou meu cabelo, fechou meus olhos e desarrumou minha casa. Não sei de onde vem, nem pra onde vai, prefiro não perguntar, não falar e não responder, porque é fácil ir e não voltar. Não sei bem onde me perdi na argumentação dos meus erros, não sei onde você achou que eu acertei. Talvez na sua cabeça, no seu telhado, ou com uma pedra na sua janela, quebrei os copos, os pratos e a vergonha. Sai falando alto e acordando quem não devia, peguei um papel e fingi que não era eu, que não sou eu, que não é comigo. Mas eu sei do tudo e do nada, do meio, do começo e do final, mas não fale sobre a ordem lógica das coisas, porque eu vivo na constante desordem de existir. Porque o mundo me confunde, o mundo confunde a gente completando a ânsia de ser o que se acha que é. E o que se é? Se é toda a loucura escondida, adormecida e justaposta frente às outras. Se é todo o seu  silêncio, com a minha voz, toda a minha vontade daquilo que me faz bem, aquilo que te faz bem, do que une e separa, aperta e solta, fica, mas leva, aquilo que confunde a gente e todo o mundo. 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O instantâneo


Eu nunca gostei do simples, do barato, do igual, do mesmo lugar ou das mesmas pessoas. Isso porque a gente muda incessantemente quando cada minuto vai embora, sou adepta da teoria do ser e do não-ser. Sempre quis achar um príncipe encantado, mas ele sempre se perdeu no meio do caminho pra minha casa.  Nunca gostei desses casais que parecem ter parado no tempo, vivendo a mesmice do dia-a-dia, sinto arrepios de pensar em estar do lado de alguém que não faça as coisas serem diferentes.  Pra mim boas histórias de amor são como nos filmes, algum tempo depois... ficaram juntos e viveram felizes para sempre. E quem disse que isso não pode acontecer? Mas, se não acontecer não importa muito, já que pra mim emoção mesmo é se apaixonar em um instante e lembra-lo enquanto tudo isso for bom. E se tivesse sido assim?!  O tempo passa a ser algo totalmente relativo na vida de quem gosta do que é instantâneo.  Não consigo me acostumar com a maldita rotina de possuir o outro. Até porque somos infinitamente livres dentro de si mesmos e não há nada mais triste que possuir a liberdade do outro.  Vamos viver o que é fugaz, rápido, demorado ou instantâneo, assim juntos ou separados, sentindo essa doce emoção de gostar dos outros, de mudar com os outros, de se apaixonar pelos outros e tantos e quantos forem assim. 


Camila 

terça-feira, 8 de maio de 2012

Encantamento do sono


O que me encanta sempre foi estranho, desajeito e meio bobo. O que me deixa mais feliz é a graça que eu faço pra você rir. No jogo da vida eu me arremesso sem ter muito medo do limite das coisas. E se há limite pra viver eu jamais quero achar. Eu quero achar mesmo a fórmula mágica que dá a beleza das coisas, que faz o vento soprar, que faz borboletas voarem, aqui fora e aqui dentro, dentro de mim. O que eu quero mesmo é sentir toda a imensidão do mundo, que forma uma tênue linha entre a realidade e o sonho. Quero mesmo é dançar até o dia amanhecer, e que o sol só possa se por quando eu te ver atravessando a rua de casa. Ouço uma música boa que toca entre o som das palavras da poesia. Vejo um futuro desenhado nos olhos desconhecidos que eu vi. Sinto um cheiro de coisa boa no ar, acordo pra olhar pela janela, mas prefiro voltar a dormir. 

Camila

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A incoerência da vida


Eu posso até lidar bem com esses conceitos filosóficos, com esses materiais abstratos e com todos esses livros aqui na estante de casa. Eu lido bem com esses casais desconhecidos que passam de mãos dadas por mim todos os dias. Eu entendo bem essa coisa toda de ser alguém que não se é, ou de mentir, omitir e aceitar aquelas coisas banais da vida. Eu posso até lidar com educação, festas, dinheiro e inveja só não me venha com discussões sobre o passado das pessoas que passaram. Eu não entendo nada de matemática, mas sei lidar bem com os papéis escritos dispostos aqui na mesa. Sou um tipo de presente distante e futuro proposto, sei bem gritar e a não dar importância a quase nada na vida. Frágil como um bichinho eu sei bem lidar com a perda, mas sei brigar até o fim pela vitória, porque o gosto de vencer é doce demais pra não se sentir. Eu posso até lidar com a insegurança de ter gostos duvidosos, estudos mal feitos e oportunidades perdidas, mas não lido com gente que não sabe o que quer porque qualquer lugar vai servir pra isso. Eu entendo bem de lágrima, sorriso, ida, volta, eu domino a arte dos contrários, só não domino os opostos na lei atrativa das relações. Eu posso lidar com todas essas incoerências da tua fala, só não posso corrigir os erros grotescos do teu caminho. Eu consigo lidar bem com os conhecidos amigos de sempre, com os problemas mundiais e com a política financeira do meu bolso. Mas não sei se estou sabendo lidar com o paradigma da mulher bem resolvida. Muitas paixões chamadas sapatos e bolsas, muito trabalho, educação e inteligência, poucas afetividades e nada da minha mãe. Não sei bem ainda lidar com o rumo que as não escolhas da gente toma,  ou com os dias fora de casa. Não me ensinaram a lidar com esses amores de verão, outono, inverno e primavera e nem com a satisfação de se viver sozinha. Eu posso até lidar com as fotos, meu cabelo curto ou as viagens de férias, mas não me venha pedir pra lidar com essas frases de efeito sobre amor e sentimento. Eu lido bem com definições, mas de verdade não sei bem lidar com as sutis diferenças entre as mãos dadas e desfeitas, entre homens e mulheres, entre ser e talvez não ser.

Camila